Quem escreve, os males espanta...
Eu, na minha humilde
opinião, não levo tão a sério aquilo que muitos dizem “quem canta, os males
espanta” porque, bem, eu não canto nada, e se cantar além de espantar os males,
espantarei também todos ao meu redor. Mas acredito sim, e fielmente, que quem
escreve independente do motivo ou assunto, espanta não só os males como também
libera todo o sentimento que possa haver no nosso interior.
Veja, há coisa mais
magnífica que as estórias? Elas nos levam a um mundo paralelo só nosso e dos
personagens. Elas nos fazem vivenciar tudo àquilo que tecnicamente não existe;
você mergulha tão avidamente naquele emaranhado de pensamentos que perde até a
noção de tempo! E isso, sem sombra de dúvidas, é um dos maiores espetáculos já
criado pelo homem em toda sua fugaz existência.
A escrita nos tira do nosso
próprio inferno, meu bem. Na verdade eu acredito que todas as artes tem esse
objetivo: nos tirar da nossa própria obscuridade; afinal, não há nada mais
inquietante do que você guardar algo que na verdade quer gritar aos sete cantos
do mundo esperando que alguém venha e te ajude, que te ampare, que te
repreenda, mas de verdade? Isso quase nunca acontece. E sabe como se grita? No
dedilhar de um violão, na ponta de um lápis, em uma pincelada, em uma nota
cantada...
Isso foi criado desde o
início dos tempos e por mais que não tenha sido o objetivo principal, tomou
essa finalidade. Por isso eu digo por mim, meu bem, quem escreve os males espanta
e cada vez mais se vê longe de um inferno obscuro que a vida o coloca.